domingo, julho 23, 2006

Eu preciso de ajuda...

Dostoiévski está me matando. O maldito (ou seria "mal-dito"?) me surpreende à cada página. A sua magnífica habilidade de análise do comportamente humano me aterroriza. Noites Brancas me surpreendeu pela simplicidade e fineza; o personagem principal (que, aliás, não possui nome algum) é de uma personalidade peculiar, sonhadora. O livro todo se passa na São Petersburgo de coisas "belas e sujas" e transporta o leitor para aquela possibilidade de transcendência e imaginação, tão apreciada pelos românticos. É um livro legal. Mas é de sua fase romântica, sem sombra de dúvida. Um livro bom para ler e sonhar.
Mas, eu prefiro a fase realista. Aliás, é esta parte que está me matando. Eu poderia construir um altar para Crime e Castigo, visto a divinidade que o caracterizo. É um livro sem precedentes na história. O maduro e vivido Dostoiévski desnuda toda a hipocrisia moral que nos cerca. Raskolnikov é mais que um personagem, é um ideal. O moço, tem uma visão deveras peculiar sobre a essência do crime: algumas pessoas (pouquíssimas, mas ainda sim algumas) teriam o direito de eliminar outras pessoas que não representassem algo de valioso para a humanidade. A humanidade, aliás, estaria dividida em seres ordinários e extraordinários (estes tendo direito sobre os outros). Ou seja, o homicídio que o jovem Ródia comete (matando a velha usurária) é, única e esclusivamente, em prol da humaniade.
A idéia em si não deve ser descartada. Do ponto de vista jurídico, pode até ser usado como fator subjetivo. Por que seria errado eliminar da face da terra alguém que só pratica atos ilícitos e acaba com a vida de tantos outros indivíduos? Raskolnikov, mesmo sendo estudante de Direito, é um jovem extremamente pobre e, fazendo um traçado psicológico, tem uma profunda angustia em se tornar alguém melhor e importante.
Bem, este é Dostoiévski. Suas obras ainda mostram um lado psicológico aguçado e sua influência sobre a filosofia Existencialista (principalmente a de Jean-Paul Sartre) além de fazer uma crítica subjetiva ao cristianismo. Mas, dizem, suas verdadeiras revelações aparecem em Irmãos Karamázov, onde a afirmação "Se Deus não existe, tudo é permitido" ganha, finalmente, sentido lógico.
Bem, mas esse, deixo para a próxima...

terça-feira, julho 18, 2006

Sobre a concepção de utilidade e inutilidade de todas as coisas



As pessoas raramente têm opiniões proveitosas. Todas sempre estão muito interessadas em resultados práticos, fatores indubitávelmente objetivos. Talvez por isso sejam tão voláteis.
Discutia com amigos a subjetividade da verdade e da mentira, do certo e do errado, do mal e do bem. A resposta que recebo (e vejam que irônico: outra pergunta!) é a seguinte: "Para que discutir coisas tão sem importância? Qual a utilidade disso?"

...


As pessoas têm essa dificuldade inata em lidar com o subjetivo, com o que está fora de seu alcance empírico. Então, quer dizer que, discutir a existência moral do mal e do bem é menos importante que procurar "soluções" para a melhoria na educação básica de nosso país?????
As pessoas confundem positivismo com objetivismo e praticidade lógica. "Discutir isso não leva à nada, nunca chegaremos à um consenso..."
Nunca chegaremos à um consenso???? Claro que não, claro!!!! Mas, é justamente por isso que discutimos. A velha e boa dialética é feita disso! A contrariedade(não a contradição, não confundam...) é implícita na discussão. Mas, o que é mais irônico em toda essa situação, as pessoas não discutem porque falta-lhes algo intrínseco: a personalidade. Todos seguimos cartilhas, manuais, psicólogos...transformamos a nossa vida em um patologia. Uma simples e pragmática patologia.
Estão todos cegos pela imagem. Não entendem que o mundo é todo "ilusão moral", e que as questões de ética são essênciais para todos. Não dar atenção a isso é ser omisso, irresponsável. Por quê? Porque são fatos diretamente ligados a nossa essência e existência.
Por que considerar inútil a discussão filosófica? Ela está aí: na música, no cinema, na literatura. Ela está em tudo. Mas, as pessoas não querem ver, preferem serem indulgentes, só indulgentes. Eu digo: Párias!!!!! Não pensam por si próprios, preferem repetir idéias prontas de bests-sellers deprimentes.
"oh, sabias que Maria Madalena teve um filho de Jesus Cristo, nosso senhor?!" Oh, uso apenas de ironia. Não gosto de ser pragmático. No máximo, "objetivozinho". E, ainda por cima, se acham novos intelectuais. É, assim mesmo, como os novos baianos! E acham que filosofia é frase do calendário.
Minto, perdão. Ás vezes, elas fazem algumas indagações: Deus existe? Quem foi, na realidade, jesus cristo? Quando será o juízo final?
E essas perguntas são importantes? Podem ser, mas não mais que a questão moral e ética. A verdadeira dúvida é aquela de fundamento. Aquela que abala as estruturas. Aquela que quebra o dogmatismo. Seguir ordens e tendências é fácil. Ler o livro da moda e acha-lo revelador, também; requer pouco esforço intelectual e emocional.
As pessoas querem algo funcional; talvez por isso, estejam ficando cada vez mais desprezíveis...

quinta-feira, julho 13, 2006

Um aviso e uma recomendação

Para transcender, a recomendação, primeiramente:

Submusica
No dia mundial do Rock, descobri essa rádio online divina. Diviníssima. Aliás, rádio esta de música eletrônica. E música eletrônica de qualidade, diga-se de passagem. House, drum n'bass, e tudo mais de que se tem direito no meio eletrônico. Uma pérola. Para acessar basta clicar no link-título da recomendação.

Dica: ouça a rádio pelo seu player de mídia (windows media player, winanp, real media...). A conexão fica excelente.


Agora, para informar, o aviso:

Sobre os comentários
Perguntaram-me o por quê de ter tirado os comentários. A resposta é bastante direta, pragmática: Não aceito ataques pessoais. Definitivamante não os suporto. Aceito críticas, elogios (!), recomendações, conselhos...Mas, ataques pessoais não, definitivamente não.
Mas, adoro conversar com pessoas interessantes e críticas. Por isso, disponibilizo aqui meu E-mail e MSN, para quem quiser perder um pouco de tempo: jb_begins@hotmail.com

Para quem quiser conversar sobre literatura, cinema, música, clubes, ou simplesmente para jogar conversa fora.