terça-feira, julho 18, 2006

Sobre a concepção de utilidade e inutilidade de todas as coisas



As pessoas raramente têm opiniões proveitosas. Todas sempre estão muito interessadas em resultados práticos, fatores indubitávelmente objetivos. Talvez por isso sejam tão voláteis.
Discutia com amigos a subjetividade da verdade e da mentira, do certo e do errado, do mal e do bem. A resposta que recebo (e vejam que irônico: outra pergunta!) é a seguinte: "Para que discutir coisas tão sem importância? Qual a utilidade disso?"

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As pessoas têm essa dificuldade inata em lidar com o subjetivo, com o que está fora de seu alcance empírico. Então, quer dizer que, discutir a existência moral do mal e do bem é menos importante que procurar "soluções" para a melhoria na educação básica de nosso país?????
As pessoas confundem positivismo com objetivismo e praticidade lógica. "Discutir isso não leva à nada, nunca chegaremos à um consenso..."
Nunca chegaremos à um consenso???? Claro que não, claro!!!! Mas, é justamente por isso que discutimos. A velha e boa dialética é feita disso! A contrariedade(não a contradição, não confundam...) é implícita na discussão. Mas, o que é mais irônico em toda essa situação, as pessoas não discutem porque falta-lhes algo intrínseco: a personalidade. Todos seguimos cartilhas, manuais, psicólogos...transformamos a nossa vida em um patologia. Uma simples e pragmática patologia.
Estão todos cegos pela imagem. Não entendem que o mundo é todo "ilusão moral", e que as questões de ética são essênciais para todos. Não dar atenção a isso é ser omisso, irresponsável. Por quê? Porque são fatos diretamente ligados a nossa essência e existência.
Por que considerar inútil a discussão filosófica? Ela está aí: na música, no cinema, na literatura. Ela está em tudo. Mas, as pessoas não querem ver, preferem serem indulgentes, só indulgentes. Eu digo: Párias!!!!! Não pensam por si próprios, preferem repetir idéias prontas de bests-sellers deprimentes.
"oh, sabias que Maria Madalena teve um filho de Jesus Cristo, nosso senhor?!" Oh, uso apenas de ironia. Não gosto de ser pragmático. No máximo, "objetivozinho". E, ainda por cima, se acham novos intelectuais. É, assim mesmo, como os novos baianos! E acham que filosofia é frase do calendário.
Minto, perdão. Ás vezes, elas fazem algumas indagações: Deus existe? Quem foi, na realidade, jesus cristo? Quando será o juízo final?
E essas perguntas são importantes? Podem ser, mas não mais que a questão moral e ética. A verdadeira dúvida é aquela de fundamento. Aquela que abala as estruturas. Aquela que quebra o dogmatismo. Seguir ordens e tendências é fácil. Ler o livro da moda e acha-lo revelador, também; requer pouco esforço intelectual e emocional.
As pessoas querem algo funcional; talvez por isso, estejam ficando cada vez mais desprezíveis...