quinta-feira, abril 27, 2006

O Mercador de Veneza: Pacino em ótima forma...

Finalmente assisti "O Mercador de Veneza" (The Merchant Of Venice, EUA, 2004). Esperava te-lo assistido no cinema mas, por problemas de caixa $$, não foi possível realizar esse desejo. Bem, sem lamentações, vamos ao filme...

"O Mercador de Veneza" é a obra de Shakespeare mais injustiçada pela indústria cinematográfica. Ao contrário de seus co-irmãos "Hamlet" e "Romeu e Julieta" ganhou ínfimas (e reduzidas) versões para o cinema. Em 2004, finalmente, ganha uma versão realmente boa. Bem, nisso sou suspeito em comentar pois não tive(ainda) a opurtunidade de ler o livro. Mas, fato é que o filme é excelente. O roteito é bem amarrado e prende a atenção. As falas são formais, usando (e abusando!) de mesóclises. Michael Radford não faz feio na direção. Jeremy Irons está ótimo como Antonio. Joseph Fienes não agrada muito com Bassânio (aliás, está anos-luz atrás de seu irmão no quesito talento). Mas, quem merece destaque é Al Pacino e sua atuação irrefutável.
Interpretando o agiota judeu Shylock, Pacino retorna a boa forma que o consagrou. Depois dos péssimos "Simone" e "O Novato", Pacino renova seu currículo com essa magnífica atuação. A representação do drama pessoal de Shylock é impressionante. Além, é claro, da questão preconceito-religião (muito bem trabalhada em todo o filme). Pacino é o cara!

Uma breve sinopse, para os curiosos...


Bassânio, um nobre veneziano que perdeu toda sua herança planeja casar-se com Pórcia, uma bela e rica herdeira. Seu amigo Antonio concorda em lhe emprestar o capital necessário para que ele viaje até Belmonte, no continente, onde vive Pórcia. Como Antonio é um mercador, toda a sua fortuna está investida numa frota de navios mercantes que navegam em águas estrangeiras. Ele então faz um empréstimo junto a Shylock, um agiota que concorda em emprestar o dinheiro, desde que Antonio empenhe uma libra de sua própria carne como garantia. Quando Bassânio chega a Belmonte, descobre que para ganhar a mão de Pórcia terá que se submeter a um teste envolvendo três arcas, deixado pelo pai da moça antes de morrer e ainda recebe a noticia que os barcos de Antonio naufragaram e ele perdeu toda sua fortuna, estando sua vida, agora, nas mãos de Shylock.


Últimas considerações:

*Anti-semita? É possível, até porque Shylock é o judeu simbólico (para a maioria dos cristãos da época), ou seja, intolerante, venal, perverso e ganancioso. No mais, reflete a consciência da época...

*Ainda não li o livro. Mas, visto a ótima atuação de Al Pacino, fico com o filme.