Os fiscais do Sarney...


" Não fiz só a restauração de instituições democráticas: ajudei a construir, no Brasil, uma sociedade democrática. Os historiadores do futuro vão ver. "
José Sarney poderia ser definido em um só adjetivo sobrejacente: MODESTO.
Acha que não?
Bem, eu também não acredito nisso. Mas, a entrevista dada à Geneton Moraes Neto e utilizada no livro Dossiê Brasília:Os Segredos dos Presidentes (Editora Globo), revela um José Sarney benevolente, indulgente, coerente, condescendente e, acima de tudo, democrático. Sim, amigos, um brasileiro nato!
Mas, assim é o brasileiro. Mais que um adjetivo pátrio, ser brasileiroé ser surpreendido. Um povo que esperava Tancredo, mas ficou com Sarney. Em sua descrição das últimas horas de Tancredo Neves, Sarney orgulha-se de ser o único a "acreditar" na recuperação do ex-presidente que nunca assumiu. Afirma com veemência que não queria assumir a presidência.
Bem, dentre os males, o melhor...
Não pode-se desmerecer o Plano Cruzado (1986) que, no começo, foi importante para acalmar o popular. Congelou preços (e salários também); transformou todos os brasileiros em "fiscais do Sarney", exercendo assim, o árduo "trabalho" de fiscalização e contenção dos preços. Combateu a inflação (bem, pelo menos, tentou). Mas, lembrando que Sarney sempre representou o interesse da elite econômica, lançou o "Plano Cruzado 2", aumentando preços, tarifas e impostos. A situação -então- ficou incontrolável.
Pelo menos de Populista, ninguém pode acusá-lo.



